Caro Joriam:

Que leitura agradável, Joriam. Escreves leve, com humor, com enredo, e o melhor de tudo, com extrema sinceridade. Colocas no texto o que és, o que foste naquela viagem, as francas reações de um jovem de 22 anos, a obsessão em conquistar as meninas, a tua carência, e tudo o mais. Só por isto vale o livro. Poucos autores conseguem ser assim, tão explícitos, sem vergonha de se expor. Mas teu livro vale também por outros aspectos. Aprendeste a essência de viajar, que é aprender lições. E quantas lições me passaste! Uma das melhores que aprendi é que o que marca um lugar como bom ou ruim é o que vivemos nele, a intensidade do acontecimento. Vi-me em tantas situações, e pareceu-me estar viajando como tu, relembrando os lugares por onde passei em viagens anteriores. Se você levou 20 anos para amadurecer este livro, quem sabe o meu também saia, pois estou amadurecendo apenas há sete anos... Parabéns, igualmente pela sua coragem de largar a arquitetura e trabalhar como comissário de bordo, aliás, o melhor comissário que já conheci.

Um abraço,  Jaime

 


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